Nos Estados Unidos da América comemora-se esta semana a International Education Week, uma iniciativa conjunta do Departamento de Estado e do Departamento de Educação destinada a assinalar e valorizar as vantagens de incluir no percurso académico dos estudantes, americanos e de outros países, uma experiência internacional, seja qual for a sua duração e o seu objetivo.

Em Julho passado os dois Departamentos tinham já emitido um comunicado conjunto, a que chamaram Joint Statement of Principles in Support of International Education, no qual reconheciam que os Estados Unidos não podiam nem queriam  deixar de apostar no intercâmbio educacional com outros países, mecanismo fundamental para reforçar as relações diplomáticas, formar as lideranças atuais e futuras e responder aos desafios partilhados globalmente, da pandemia à crise climática, passando pela segurança e pela redução das disparidades em termos económicos.

Em termos práticos, o compromisso baseia-se num conjunto de princípios e ações que permitem apostar com renovado ênfase na vertente internacional do ensino superior e da investigação. Entre esses princípios surge em primeiro lugar a necessidade de concertar uma abordagem nacional no que diz respeito à atração de estudantes, investigadores e professores estrangeiros, à promoção de experiências de estudo internacionais para os americanos, ao fomento da colaboração internacional no que diz respeito à investigação e à internacionalização das universidades americanas. Num país como os Estados Unidos, onde a descentralização é a norma em praticamente todos os setores, nomeadamente no ensino superior e na investigação, uma tentativa de coordenação a nível nacional reveste um carácter de excecionalidade somente possível se desenvolvido com base num princípio de estreita parceria com as instituições de ensino superior e um conjunto alargado de parceiros e intervenientes no processo de internacionalização, princípio esse também assumido no Joint Statement.

A mensagem é clara – os Estados Unidos estão de braços abertos para acolher estudantes, investigadores e professores internacionais, valorizando a diversidade de origens e de áreas de estudo, e, ao mesmo tempo, encorajam os estudantes, investigadores e educadores americanos a procurar complementar o seu percurso educativo com uma experiência de estudo, estágio ou investigação desenvolvida em contexto internacional.

A aposta na educação internacional e na promoção do acesso aos seus benefícios de forma equitativa é apresentada inequivocamente como fazendo parte da recuperação pós-pandemia de COVID-19, tanto internamente como garantindo uma posição de liderança global dos Estados Unidos.

Mas a pandemia trouxe limitações óbvias à mobilidade e ao intercâmbio, e os números do relatório Open Doors 2021, publicado no início desta semana pelo Institute of International Education (IIE) e pelo Bureau of Educational and Cultural Affairs do Departamento de Estado refletem isso mesmo. Pela primeira vez em 6 anos, o número de estudantes internacionais que frequentaram instituições de ensino superior americanas no ano académico de 2020/2021 ficou abaixo de um milhão, com um total de 914.095, o que representa uma descida de 15% em relação ao total de 2019/2020.

Por outro lado, no que diz respeito aos estudantes norte-americanos que escolheram e puderam estudar noutros países, os dados disponíveis no relatório dizem respeito precisamente a 2019/2020 –  uma ano também já fortemente afetado pela pandemia – e a quebra foi de 53,1%, de 347.099 para 162.633.

Os dados relativos ao intercâmbio entre Portugal e os Estados Unidos revelam também uma descida – em 2020/2021 foram 791 os estudantes portugueses nos EUA (-15,3% em relação aos 934 do ano anterior) e em 20192020 foram 528 os estudantes americanos que escolheram Portugal como destino (-51,8% em relação ao número de 1096 no ano anterior e interrompendo uma tendência de crescimento muito acentuado nos últimos anos).

Tanto num caso como noutro, no entanto, as descidas mantiveram-se em linha com a média das quebras de intercâmbio global nos EUA e os dados preliminares que começam a estar disponíveis em relação ao início do ano letivo de 2021/2022 permitem algum otimismo relativamente a um retomar da mobilidade para os níveis aproximados dos da pré-pandemia.

Essa é também a tendência verificada na atividade da Comissão Fulbright, que administra em Portugal o Programa Fulbright de intercâmbio educacional e cultural.. Já começaram a chegar ao nosso país os estudantes, investigadores e professores americanos que, com o apoio do Programa Fulbright, desenvolverão os seus projetos em 2021/2022 e tem sido mantida de forma regular a partida dos bolseiros Fulbright portugueses para os EUA.

O Programa Fulbright, a comemorar em 2021 o seu 75º aniversário a nível mundial, apoiará, assim, perto de uma centena de Fulbrighters de e para Portugal, num claro contributo para o esforço conjunto de relançamento da educação internacional e do intercâmbio académico e cultural entre Portugal e os Estados Unidos da América.

E os concursos das Bolsas Fulbright para Portugueses para o ano de 2022/2023 abrem já no dia 1 de Dezembro, dando continuidade a um esforço conjunto com diversas instituições parceiras para fomentar o entendimento mútuo e a cooperação entre os dois países.

Recursos:

https://iew.state.gov/

https://educationusa.state.gov/us-higher-education-professionals/us-government-resources-and-guidance/joint-statement

https://opendoorsdata.org/

https://www.fulbright.pt/

 

 

Lisboa, 17 de novembro de 2021

 

Otília Macedo Reis

Diretora Executiva

Comissão Fulbright Portugal

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